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segunda-feira, 12 de março de 2012

HEPATITE C

- Hepatite C (VHC) -
 Visão Geral:
            O vírus da hepatite C é transmitido quando o sangue contaminado por ele penetra na corrente sangüínea através de transfusões, acupuntura, agulhas ou seringas compartilhadas, tatuagens, piercings, instrumentos de manicure, ferimentos, entre outros.
            Como acontece com o VHB, numa parcela significativa de pacientes o meio de transmissão não é identificado.
            Cerca de 80% das infecções pelo VHC evoluem para casos crônicos. Atualmente, a cirrose e o câncer de fígado relacionados à hepatite crônica C são a maior causa de transplantes nos Estados Unidos.
            O VHC apresenta vários subtipos, os genótipos, que são importantes porque apresentam diferentes respostas ao tratamento. O genótipo 1, por exemplo, apresenta resposta mais difícil do que os demais (não-1).
            Segundo as estimativas da OMS, existem 170 milhões de pessoas contaminadas no mundo. No Brasil, esse número é de aproximadamente 3,2 milhões (1,88%).

As principais vias de transmissão do VHC:
1) Transfusão de sangue e derivados do sangue;
2) transplante de órgãos ou tecidos;
3) através de agulhas, seringas ou ferimentos;
4) da mãe para o bebê (pouco freqüente);
5) contato sexual sem preservativo (pouco freqüente);
6) Profissionais de saúde, agentes penitenciários e os usuários de drogas injetáveis são os maiores grupos de risco para a infecção pelo VHC através de transmissão por sangue contaminado.
            Também pode ocorrer contaminação através do compartilhamento de materiais como escovas de dente, barbeadores lâminas e utensílios de manicure contaminados. Tatuagens e piercings feitos com agulhas contaminadas também transmitem o vírus.
            Aproximadamente um terço dos pacientes contaminados pelo VHC não sabem o modo como contraíram a doença.

Prevenção:
            Não existe vacina contra a hepatite C. Poucos pacientes desenvolvem anticorpos contra as proteínas virais do VHC; assim, a vacinação não tem se mostrado eficaz.
            Na ausência de vacinas, a principal forma de prevenção contra o VHC é testar todo sangue coletado nos bancos de sangue, para assegurar que tanto ele como os seus derivados estejam livres do VHC. Também devem ser realizados exames em outros objetos de doação, como órgãos ou sêmen.
            Além disso, são necessários os cuidados com materiais que possam conter sangue contaminado, como alicates de unha, lâminas, barbeadores, escovas de dente, agulhas de seringas compartilhadas, entre outros.
            Uma das principais forma de prevenir a transmissão da hepatite C é examinar todo o sangue coletado nos bancos de sangue.

Sintomas:
            Na fase aguda da infecção os sintomas são leves ou ausentes, por isso ela raramente é diagnosticada nesse período.
            Os sintomas da infecção crônica também são leves, pelo menos no início. Dessa maneira, é comum o portador conviver vários anos com a doença sem saber que a possui. Na maioria das vezes, acaba por descobrir acidentalmente durante exames de sangue de rotina ou nos exames de triagem para doação de sangue.
            Nos casos em que o paciente apresenta sintomas, esses podem ser síndrome gripal, fadiga, falta de apetite, náuseas, vômito, febre e dores abdominais leves.

Infecções concomitantes:
            Estar contaminado com um tipo de hepatite não significa que você está isento de contrair outras formas de infecções. Pacientes com hepatite C que também contraem hepatite A corem um sério risco de ter hepatite fulminante - uma forma de evolução muito rápida e mortal da doença. Por isso, é importante que portadores da hepatite C sejam vacinados contra hepatite A e B.
            Existem também vários casos de pacientes contaminados com os vírus da hepatite C (VHC) e HIV. Nesta situação a hepatite tente a apresentar uma maior velocidade de progressão, podendo ocorrer cirrose mais precocemente. Este problema é preocupante já que os pacientes com AIDS têm apresentado excelentes resultados com o tratamento do HIV e, desta maneira, a hepatite passa a ser uma nova limitação a sua saúde. Vários estudos que investigam opções de tratamento para estes pacientes estão em andamento.

Como a hepatite C é diagnosticada?
            São feitos exames de sangue específicos, como:
Enzimas do fígado: Quando o fígado é atacado pelo vírus e as células começam a ser destruídas, as enzimas presentes dentro dessas células se elevam na corrente sangüínea. Os médicos fazem um teste sangüíneo que mede o nível da enzima ALT (alanina aminotransferase) e AST (aspartato aminotransferase). O próximo passo é determinar se é um vírus de hepatite que está causando o aumento do nível de enzimas hepáticas.
Anticorpos: os médicos usam testes tipo ELISA e RIBA para detectar a presença de anticorpos que seu organismo produz contra o vírus da hepatite C. Um teste de anticorpo VHC (anti-VHC ou anti-HCV) positivo indica exposição ao vírus, mas não diz se a infecção está presente ou se já foi curada.
Presença do RNA do vírus: Os médicos utilizam o teste PCR (reação de polimerase em cadeia) para procurar o RNA do VHC. O RNA é um conjunto de proteínas que carrega as informações sobre o vírus. Esse teste pode indicar se o vírus está presente no organismo. Há também um teste que verifica a carga viral, porém não é muito utilizado devido a ausência de padronização do método (uniformização do método).
Biópsia: A biópsia é a retirada de um fragmento do tecido, nesse caso, o fígado, para examinar a natureza das alterações nele existentes. As biópsias freqüentemente são solicitadas para distinguir hepatite viral de hepatite causada por outros fatores, como o alcoolismo, por exemplo.
            Além disso, indica também o grau do dano hepático (se existe fibrose ou cirrose e qual é o estágio). É importante para decidir-se sobre a necessidade ou não de tratamento.
            A hepatite C é uma doença de notificação compulsória, ou seja, o médico que a diagnosticou deve, obrigatoriamente, informar a secretaria de saúde do seu estado.

Como é a evolução da hepatite C?
            A hepatite C é uma doença que evolui lentamente e tem várias conseqüências possíveis:
1. Pacientes que não apresentam sintomas (assintomáticos) - Cerca de 70% a 90% dos portadores crônicos de hepatite C, não apresentam sintomas. Se ocorrem, são muito leves e por isso a infecção pode levar muitos anos para ser diagnosticada.
2. Infecção aguda - O período de incubação varia de 2 semanas a 6 meses e os pacientes, na maior parte das vezes, não apresentam sintomas clínicos.
3. Infecção crônica - Em adultos, a progressão da doença para a forma crônica é muito maior na hepatite C (cerca de 80%) do que na hepatite B (10%). Como já vimos, nesse caso, a doença pode danificar muito o fígado e progredir para cirrose ou até câncer.

            Existem alguns fatores que podem indicar a evolução para a hepatite crônica C:
  • Duração prolongada da infecção;
  • idade avançada na época da infecção;
  • alto consumo de álcool;
  • infecção pelo genótipo 1b do VHC;
  • infecção conjunta com a hepatite B ou o vírus da Aids.
Tratamento:
            O tratamento visa prevenir as complicações provocadas pela hepatite C (hepatite crônica, cirrose e câncer de fígado). O tratamento ideal deveria eliminar completamente o VHC do organismo do paciente, porém, não é possível atingir esse objetivo em todos os casos, com os medicamentos disponíveis atualmente.

            O único tratamento com eficácia comprovada contra a hepatite crônica C é o interferon alfa.

            Nenhuma outra droga comprovou ser eficaz nessa doença, embora muitas ainda estejam em estudo clínico. A combinação com uma droga denominada ribavirina tem demonstrado duplicar a taxa de resposta sustentada ao tratamento com interferon. Agentes antivirais, como o aciclovir, não demonstraram eficácia em pacientes com hepatite C.            
            O uso de agentes imunossupressores, como por exemplo, os corticosteróides - drogas que imitam os efeitos dos hormônios da glândula supra-renal, suprimindo a inflamação e a atividade dos leucócitos - está associado a uma progressão mais rápida para a cirrose, não sendo, portanto, indicados.

Hepatite Aguda C: Alguns estudos foram conduzidos durante a fase aguda da infecção pelo VHC e os resultados demonstraram que a terapia com IFN- produz redução significativa no número de pacientes que desenvolvem a infecção crônica.

            É pouco provável, contudo, que a droga seja administrada na fase aguda, devido à relativa ausência de sintomas da hepatite aguda C, o que torna o diagnóstico muito difícil.
Hepatite Crônica C: IFN-, combinado com a ribavirina, é o tratamento padrão para pacientes com hepatite crônica C, durante 12 meses para o genótipo 1 e 6 meses para os genótipos não-1. Essa é a terapia utilizada atualmente no Brasil.
            Não há critérios universalmente aceitos para avaliar a resposta definitiva à terapia. A eficácia, assim, deve ser medida em termos de "cura", ou seja, eliminação completa do vírus e prevenção das lesões ao fígado.
            Entre 50% a 85% dos pacientes respondem inicialmente à terapia, obtendo níveis normais de enzimas do fígado no final do tratamento (resposta primária ou resposta completa ao final do tratamento). Aproximadamente 30% dos pacientes que utilizam a terapia combinada (IFN + ribavirina) obtêm resposta favorável por longos períodos (resposta sustentada).
            O tratamento para hepatite crônica C no Brasil é a combinação interferon alfa + ribavirina por 1 ano para os genótipos 1 e 6 meses para os genótipos não-1.
            A terapia combinada de interferon e ribavirina não deve ser utilizada por mulheres grávidas, pois oferece o risco significativo de má formação do feto.
            Mulheres não devem começar o tratamento até que se certifiquem de que não estejam grávidas, através de um exame adequado. Homens e mulheres em idade fértil, devem fazer uso de métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento e por mais seis meses após o término.
Convivência com o problema:
            É muito importante aprender a estar informado sobre a hepatite C. Mantenha acompanhamento médico, decidindo junto com o especialista o melhor caminho para tratar a hepatite.
            O tratamento para hepatite C pode causar vários efeitos colaterais. Se você está em tratamento, tenha em mente que todos esses efeitos são passageiros e procure seguir as orientações do médico, aplicando corretamente as doses do medicamento e nos espaços de tempo prescritos.
            Alguns conselhos básicos podem ajudar a reduzir os problemas relacionados ao uso da medicação:
1- Para aliviar febres e dores de cabeça, você pode utilizar o analgésico paracetamol, sempre com a aprovação prévia de seu médico;
2- aplicando as injeções de interferon à noite, antes de deitar-se, os picos de concentração do medicamento (e conseqüentemente, os picos dos efeitos colaterais) são atingidos durante o sono;
3- procure evitar situações estressantes e não se desgaste fisicamente;
4- sempre que possível pratique exercícios leves, como caminhadas;
5- tenha uma dieta equilibrada.
            Geralmente os efeitos colaterais vão diminuindo após as primeiras semanas de tratamento e a maior parte dos pacientes consegue viver normalmente durante a terapia.
            Quando houver qualquer dúvida, converse francamente com seu médico. Se necessário, converse também com seus familiares, amigos e até mesmo seu empregador sobre a redução de suas tarefas.
            Procure encontrar nos médicos, enfermeiros e associações de pacientes, o suporte necessário. Os grupos de portadores de hepatite, organizam reuniões e os freqüentadores sentem-se mais encorajados a fazer o tratamento, além de aprenderem muito sobre como encarar o novo desafio com valiosas dicas de qualidade de vida.
            Já existem no Brasil vários Grupos de Apoio a portadores da hepatite C e, dentre eles, podemos relacionar os seguintes e-mails:
            Há, também, um excelente site que deve ser visitado:
            Sugerimos, ainda, adquirir o livro "Convivendo com a hepatite C"  que poderá ser comprado diretamente do autor Carlos Varaldo, através do e-mail cvaraldo@yahoo.com. É uma obra indispensável aos portadores e aos familiares.


Mais informações e referências bibliográficas:
1. FOCACCIA, Roberto. Hepatites virais. 1.ed. São Paulo. Atheneu, 1997.
2. Protocolo técnico para tratamento da hepatite C - Ministério da Saúde, junho de 2000.
3. SCHINAZI, Raymond F. et al. Therapies for viral hepatitis. 1.ed. London. International Medic Press, 1998.
4. SILVA, Adávio de Oliveira; D'ALBUQUERQUE, Luiz A. Carneiro. Doenças do fígado Volume I e II. 1.ed. Rio de Janeiro. Revinter, 1996.

Hepatite!

Chamamos de hepatite toda inflamação no fígado. Esta inflamação pode ter diversas causas, como veremos a seguir. Com a inflamação, são destruídas células do fígado (hepatócitos e outros), com diversas conseqüências ao organismo.

Fígado Normal ao Microscópio
   As hepatites podem ter várias causas. As hepatites virais são todas diferentes em sintomas, gravidade e tratamento. Como as mais comuns aqui no Brasil são as causadas por vírus de nomes semelhantes (AB e C), muitos pensam que são parecidas, ou que esses nomes indiquem que exista uma seqüência de gravidade da infecção. Mas isso foi apenas um modo de facilitar o estudo.

Fígado com Hepatite A
   A hepatite também pode ser causada por infecções generalizadas que acabam por atacar também o fígado, por substâncias tóxicas como o álcool, por erros do nosso próprio sistema imunológico ou do metabolismo, por mais de um modo diferente e através de outros mecanismos que ainda não conhecemos.

Algumas causas de hepatites
Vírus




Hepatite E



por outros vírus
Bacterianas
Hepatite trans-infecciosa
Distúrbios de imunidade



Síndrome mista / de sobreposição
Distúrbios do metabolismo
Hemocromatose
Deficiência de alfa-1-antitripsina
Doença de Wilson
Substâncias tóxicas

Outros
   A hepatite pode surgir rapidamente com sintomas mais intensos (hepatite aguda) ou lenta e menos sintomática (hepatite crônica). Algumas doenças, com a hepatite A, costumam causar apenas a hepatite aguda. Outras, como a hepatite B, podem apresentar um quadro agudo e depois manter uma inflamação menor por um longo período, tornando-se crônica. Outras, como a hemocromatose e a hepatite autoimune, costumam se apresentar como se fossem hepatites agudas, mas na verdade são crônicas.


HAV
HBV
HCV
HDV
HEV
Transmissão
Enteral
Parenteral
Parenteral
Parenteral
Enteral
Período de incubação (dias)
15-50
28-160
14-160
28-160
20-40
Progressão para doença crônica
nunca
ao nascimento: >90%
<2 anos: <5%
70-85%
co-infecção: <5%
superinfecção: >95%
nunca
   Na hepatite aguda, os sintomas podem variar bastante. Dependendo da causa, eles podem não aparecer. Na maioria das vezes, a hepatite aguda surge com um quadro parecido a de uma gripe, com mal estar, fraqueza, febre, dores e náuseas. Quadros mais intensos podem vir com icterícia, que é um amarelamento da pele e dos olhos causado pelo acúmulo de bile no sangue. Felizmente, hepatites agudas graves, chamadas de fulminantes e subfulminantes, são raras. Além dos sintomas habituais, surgem alterações de comportamento, sonolência e confusão, sinais de que o fígado não está conseguindo eliminar toxinas do organismo (encefalopatia hepática).

Diagnóstico diferencial das hepatites agudas
anti-HAV IgM
anti-HBc IgM, HBsAg
anti-VHC, RNA-VHC
anti-HDV, HBsAg
Hepatite E
anti-HEV IgM
adultos: anticorpos heterotróficos (Paul-Bunnel-Davidson)
crianças: anti-VEB IgM
anti-CMV IgM
Infecção por herpes (imunossuprimidos)
sorologia ou cultura de vírus corpúsculos de inclusão em biópsia hepática
Leptospirose
clínica; pesquisa em campo escuro; sorologia
Sepsis ("hepatite transinfecciosa")
culturas (sangue, urina, etc.)
Sífilis
clínica e sorologia
Toxoplasmose
clínica e sorologia
clínica
Hepatite isquêmica
clínica; LDH
Hepatite crônica agudizada
clínica; auto-anticorpos (hepatite autoimune)
anel de Kayser-Fleischer; ceruloplasmina; cobre urinário
Esteatose aguda na gravidez
3o. trimestre; transaminases pouco elevadas; insuficiência renal
Colecistite aguda
clínica; enzimas; ecografia

Fígado com Esteato-hepatite Não-alcoólica
   Na hepatite crônica, ocorre uma destruição lenta das células do fígado, que aos poucos vão se regenerando ou formando cicatrizes. Nessa fase, praticamente não há sintomas. Por esse motivo, muitas pessoas não descobrem a doença até que seja tarde demais. O que acontece é que a destruição das células do fígado pode chegar a um ponto em que a regeneração não é mais possível e o fígado pode não ser mais capaz de funcionar normalmente. Isso, junto com a formação de cicatrizes no fígado, é o que chamamos de cirrose.

Fígado com Cirrose

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

LIBERAÇÃO DO USO DOS NOVOS MEDICAMENTOS PARA HEPATITE C

Os novos medicamentos (inibidores de protease) atuam no vírus da hepatite C. Eles se ligam a uma parte do vírus, uma proteína com ação enzimática e que é essencial para a multiplicação viral, chamada protease.

A terapia atual (interferon peguilado + ribavirina) no caso do genótipo 1, resulta em resposta virológica sustentada (RVS) (que é a cura da hepatite C) ao redor de 46%. Em uma análise dos resultados gerais dos estudos do boceprevir e telaprevir em pacientes nunca tratados, houve ao redor de 30% a mais de resposta e nos previamente tratados 45%. Mais de 50% podem realizar o tratamento em 24 a 28 semanas ao invés de 48.

Pacientes de difícil tratamento como negros, com fibrose avançada (F3, F4), IL28B não CC, com resistência à insulina, não respondedores ao primeiro tratamento também respondem mais à terapia tripla.

A anemia é um efeito colateral do boceprevir e pode ser severa em menos de 10% dos pacientes. Pode ser manuseada com redução da dose de ribavirina, com uso da eritropoietina e, se necessário, com transfusão de sangue. Raramente a terapia precisa ser interrompida por anemia.

As lesões cutâneas causadas pelo telaprevir são, na maioria das vezes, de leve intensidade, mas há o risco de eventos graves, que ocorreram em menos de 1% dos pacientes nos estudos prévios.

A opção entre boceprevir ou telaprevir é feita pelo médico especialista em conjunto com o paciente, sendo que será explicado o motivo de determinada escolha. Isso já acontece quando é optado por interferon peguilado alfa 2 a ou alfa 2 b.

A ANVISA, já registrou tanto o boceprevir como o telaprevir, sendo que o boceprevir, já tem até um registro de preço.Salientamos que para um medicamento ser solicitado por via judicial tem que ter se registro na ANVISA.

O Ministério da Saúde iniciou o as reuniões do grupo de trabalho para incorporação dos inibidores de protease pelo SUS, estando previsto para 2012 o novo protocolo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Estudo sobre a depressão no tratamento da Hepatite C.

Um interessante estudo acaba de ser publicado no American Journal of Gastroenterology relatando um trabalho realizado na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, pelo qual os pesquisadores queriam saber se a depressão durante o tratamento da hepatite C era ocasionada por alterações bioquímicas resultantes da ação do interferon e da ribavirina.

O transtorno mais comum durante o tratamento da hepatite C é a depressão com todo seu quadro clínico conhecido, mas, apesar disso, talvez não seja somente um problema afetivo. São vários os fatores que contribuem para a etiologia da depressão emocional e, entre eles, destaca-se cada vez mais a importância da bioquímica cerebral.

Foram selecionados 201 pacientes não respondedores a um tratamento prévio, os quais foram tratados com interferon peguilado alfa 2-a e ribavirina, todos eles com avançadas fibroses, objetivando evitar que eles progredissem para a cirrose. Um grupo foi tratado por 24 semanas e outro durante 48 semanas.

O estado psicológico e a depressão foram avaliados realizando entrevistas e utilizando formulários reconhecidos cientificamente como o Beck Depression Inventory II e o Composite International Diagnostic Interview, acompanhando o tratamento com exames no inicio do tratamento e nas semanas 4, 24, 48 e 72 para verificar o nível de cortisol e serotonina. Cortisol é um hormônio corticosteróide produzido pela glândula supra-renal que está envolvido na resposta ao estresse e a serotonina é um neurotransmissor, isto é, uma molécula envolvida na comunicação entre as células do cérebro.

Foi verificado que na semana 24 do tratamento 23% dos pacientes apresentava depressão induzida pelo tratamento e na semana 48 assustadores 42% apresentavam sinais de depressão.

Curiosamente, os níveis de cortisol e serotonina, sempre diminuídos em pacientes com depressão emocional, não sofriam essa alteração nos pacientes com depressão por causa do tratamento com interferon e ribavirina. Outro resultado que chamou a atenção e que a maioria dos pacientes que apresentavam depressão na semana 24 se encontrava no grupo que, na semana 20, não tinham conseguido negativar o vírus.

Concluem os autores que a depressão, durante o tratamento com interferon e ribavirina, está associada a uma resposta antiviral mais baixa, a uma menor resposta terapêutica. Recomendam ainda a realização de estudos para encontrar marcadores bioquímicos que possam identificar a depressão induzida pelo interferon e a ribavirina.

O estudo passa a ser mais um que demonstra ser a depressão um dos maiores problemas para se conseguir sucesso no tratamento da hepatite C, motivo pelo qual sempre recomendamos dar muita atenção ao problema e todos aqueles que possam suspeitar de sofrer de sintomas depressivos devem procurar um psiquiatra para tratar disso antes e durante todo o tratamento.



Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte: Am J Gastroenterol. 2008 Aug 21 - Changes in Mood States and Biomarkers During Peginterferon and Ribavirin Treatment of Chronic Hepatitis C. - Fontana RJ, Kronfol Z, Lindsay KL, Bieliauskas LA, Padmanabhan L, Back-Madruga C, Lok AS, Stoddard AM; the HALT-C Trial Group. - Division of Gastroenterology, University of Michigan, Ann Arbor, Michigan, USA.

Carlos Varaldo - Grupo Otimismo

domingo, 24 de julho de 2011

DOENÇA HEPÁTICA ASSOCIADA AO ÁLCOOL

Matéria de 15/09/2010
O alcoolismo é um problema comum que afeta milhares de brasileiros.
Os homens são mais atingidos que as mulheres. Jovens do sexo masculino com história de alcoolismo na família e dificuldade de relacionamento fazem parte da população de risco para o alcoolismo. Marcadores biológicos específicos para o risco de desenvolver o alcoolismo não foram identificados.

O ALCOOLISMO PODE CAUSAR DOENÇAS DO FÍGADO?
A maioria das pessoas que consome álcool não sofre danos significativos no fígado. Entretanto, o consumo crônico e/ou excessivo de álcool pode causar uma variedade de problemas hepáticos incluindo excesso de gordura no fígado (esteatose), hepatite alcoólica (inflamação do fígado) e, finalmente, cirrose (dano permanente ao fígado).

A hepatite alcoólica e a cirrose alcoólica desenvolvem-se em aproximadamente 15 a 20% dos alcoólatras. Grosseiramente quer dizer que, 1 em cada 5 alcoólatras, vai ter problemas de saúde graves relacionados ao álcool. Estas pessoas poderão morrer de insuficiência hepática, quando o fígado para de funcionar, causada por uma hemorragia digestiva, infecção ou insuficiência renal (rins param de funcionar).

O transplante de fígado só é permitido a pacientes que se afastam do álcool por um período de vários meses. O porquê algumas pessoas que ingerem álcool tem doenças hepáticas e outras não, ainda não está bem esclarecido, mas alguns estudos apontam para uma predisposição genética. Algumas pessoas são geneticamente mais susceptíveis aos efeitos do álcool do que outras e não existem testes laboratoriais para se determinar quem é e quem não é.

Atualmente a cirrose está entre as 7 maiores causas de morte no mundo ocidental. A causa mais comum da cirrose é o alcoolismo. Ainda, o abuso de álcool aumenta o risco de pancreatite (inflamação do pâncreas), miocardiopatias (doença do músculo do coração), traumas (secundários a acidentes por embriagues) e o desenvolvimento de inúmeras doenças em recém nascidos de mães alcoólatras.

QUANTO DE ÁLCOOL É NECESSÁRIO PARA CAUSAR DANOS AO FÍGADO?
A quantidade de álcool é bastante variável. Algumas pessoas são extremamente sensíveis aos efeitos do álcool, enquanto outras parecem ser completamente imunes. Em regra, quanto maior a quantidade e o tempo de consumo, maior a chance de desenvolver danos no fígado. Consumos diários em torno de 20-40 gramas de álcool em mulheres e 80 gramas em homens levam ao desenvolvimento de cirrose em aproximadamente 10 anos.

PORQUE AS MULHERES SÃO MAIS SENSÍVEIS QUE OS HOMENS?
As mulheres são mais sensíveis aos efeitos do álcool. Vários estudos têm mostrado esta predominância, porém, sem determinar a causa exata. Sabe-se que as mulheres possuem níveis menores de uma enzima conhecida como desidrogenase lática. Esta enzima é responsável pela "digestão" do álcool diminuindo a quantidade de álcool que chegará a corrente sanguínea. Por isso que a maioria das mulheres sente os efeitos do álcool com menor quantidade ingerida.

QUAIS AS DOENÇAS CAUSADAS PELO EXCESSO DE ÁLCOOL?
1. ESTEATOSE HEPÁTICA (ACÚMULO DE GORDURA NO FÍGADO) - Pode ocorrer em pessoas que fazem consumo constante de bebidas alcoólicas e não são obrigatoriamente alcoólatras. Existe um acúmulo de pequenas bolsas de gordura no tecido hepático levando a um aumento do volume do fígado. Exames de sangue podem identificar danos precoces ao fígado. Quando a ingestão de álcool é interrompida, a esteatose hepática desaparece e o fígado se recompõe totalmente;
2. HEPATITE ALCOÓLICA - Esta é uma condição grave onde o fígado foi bastante danificado pelos efeitos do álcool. A doença é caracterizada por fraqueza, febre, perda de peso, náusea, vômitos e dor sobre o local do fígado. O fígado está inflamado causando a morte de múltiplas células hepáticas. Diferente da esteatose, a hepatite alcoólica, depois de curada, deixa cicatriz permanente no fígado (FIBROSE). A hepatite alcoólica é uma doença pode oferecer risco de vida e requer hospitalização. Com o tratamento adequado a hepatite alcoólica melhora, porém, as cicatrizes permanecem para sempre; e,
3. CIRROSE HEPÁTICA - Este é o estágio final dos danos causados pelo álcool ao fígado. A cirrose é uma forma de dano permanente e irreversível ao fígado. Esta fibrose leva a uma obstrução à passagem do sangue pelo fígado impedindo o fígado de realizar funções vitais como purificação do sangue e depuração dos nutrientes absorvidos pelo intestino. O resultado final é uma falência hepática. Alguns sinais de insuficiência hepática incluem acúmulo de líquido no abdômen - ascite (barriga d’água), desnutrição, confusão mental (encefalopatia) e sangramento intestinal. Algumas destas condições podem ser contornadas por medicações, dietas e procedimentos especializados, mas o retorno a normalidade não é possível.

COMO SE SABE SE A PESSOA TEM ESTEATOSE, HEPATITE ALCOÓLICA OU CIRROSE?
A ultrassonografia muitas vezes é capaz de visualizar a presença de esteatose ou cirrose hepática. Exames de sangue são bastante úteis para determinar se o fígado apresenta suas funções básicas comprometidas, porém a biópsia hepática é o exame de eleição para se saber o grau de comprometimento e determinar a causa da doença. A biópsia hepática é um procedimento que pode ser realizado em clínicas ou ambulatórios não necessitando o internamento do paciente. Realizado com anestesia local, o paciente é liberado em seguida para retorno as suas atividade habituais recomendando-se apenas que evitem fazer qualquer esforço físico.

EXISTEM COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS À DOENÇA HEPÁTICA ALCOÓLICA?
Sim, aproximadamente um terço dos pacientes com cirrose hepática tem história de infecção pelo vírus da hepatite C e cerca de 50% terão pedras na vesícula. Pacientes com cirrose tem maior chance de desenvolver diabetes, problemas nos rins, úlceras no estômago e duodeno e infecções bacterianas severas.

SE EU TENHO ALGUM GRAU DE COMPROMETIMENTO DO FÍGADO, ISTO PODE AFETAR MEU TRATAMENTO COM OUTRAS MEDICAÇÕES?
Sabe-se que uma das funções do fígado é o processamento de medicações e outros produtos químicos no seu corpo. Se você tem problemas hepático é de se esperar que o processamento dessas medicações se faça de maneira diferente daquilo que acontece em pessoas normais. Sempre que for prescrito algum medicamento, converse com seu médico a respeito do problema e sobre qualquer modificação nas dosagens, se necessário. Mesmo a presença de álcool na corrente sanguínea em pacientes não cirróticos pode causar alterações no processo de funcionamento de algumas medicações. Medicações e álcool não formam uma boa combinação.

QUAIS OS TRATAMENTOS DISPONÍVEIS?
De todos os tratamentos para doença alcoólica hepática, o mais importante é parar de beber. Algumas vezes o fígado apresenta uma pequena recuperação, suficiente para manter as suas funções vitais permitindo a pessoa ter uma vida normal. Quando a cirrose evolui para seu estágio final, a única solução é o transplante hepático. Somente pessoas que pararam de beber por longo prazo e estão em programas de reabilitação para alcoólicos são considerados candidatos para o transplante. (Qualquer outra dúvida procure seu Médico).

sexta-feira, 1 de julho de 2011

DEPRESSÃO NO TRATAMENTO DA HEPATITE C

Um interessante estudo acaba de ser publicado no American Journal of Gastroenterology relatando um trabalho realizado na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, pelo qual os pesquisadores queriam saber se a depressão durante o tratamento da hepatite C era ocasionada por alterações bioquímicas resultantes da ação do interferon e da ribavirina.

O transtorno mais comum durante o tratamento da hepatite C é a depressão com todo seu quadro clínico conhecido, mas, apesar disso, talvez não seja somente um problema afetivo. São vários os fatores que contribuem para a etiologia da depressão emocional e, entre eles, destaca-se cada vez mais a importância da bioquímica cerebral.

Foram selecionados 201 pacientes não respondedores a um tratamento prévio, os quais foram tratados com interferon peguilado alfa 2-a e ribavirina, todos eles com avançada fibroses, objetivando evitar que eles progredissem para a cirrose. Um grupo foi tratado por 24 semanas e outro durante 48 semanas.

O estado psicológico e a depressão foram avaliados realizando entrevistas e utilizando formulários reconhecidos cientificamente como o Beck Depression Inventory II e o Composite International Diagnostic Interview, acompanhando o tratamento com exames no inicio do tratamento e nas semanas 4, 24, 48 e 72 para verificar o nível de cortisol e serotonina. Cortisol é um hormônio corticosteróide produzido pela glândula supra-renal que está envolvido na resposta ao estresse e a serotonina é um neurotransmissor, isto é, uma molécula envolvida na comunicação entre as células do cérebro.

Foi verificado que na semana 24 do tratamento 23% dos pacientes apresentava depressão induzida pelo tratamento e na semana 48 assustadores 42% apresentavam sinais de depressão.

Curiosamente, os níveis de cortisol e serotonina, sempre diminuídos em pacientes com depressão emocional, não sofriam essa alteração nos pacientes com depressão por causa do tratamento com interferon e ribavirina. Outro resultado que chamou a atenção e que a maioria dos pacientes que apresentavam depressão na semana 24 se encontrava no grupo que na semana 20 não tinham conseguido negativar o vírus.

Concluem os autores que a depressão durante o tratamento com interferon e ribavirina está associada a uma resposta antiviral mais baixa, a uma menor resposta terapêutica. Recomendam ainda a realização de estudos para encontrar marcadores bioquímicos que possam identificar a depressão induzida pelo interferon e a ribavirina.

O estudo passa a ser mais um que demonstra ser a depressão um dos maiores problemas para se conseguir sucesso no tratamento da hepatite C, motivo pelo qual sempre recomendamos dar muita atenção ao problema e todos aqueles que possam suspeitar de sofrer de sintomas depressivos devem procurar um psiquiatra para tratar disso antes e durante todo o tratamento.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte: Am J Gastroenterol. 2008 Aug 21 - Changes in Mood States and Biomarkers During Peginterferon and Ribavirin Treatment of Chronic Hepatitis C. - Fontana RJ, Kronfol Z, Lindsay KL, Bieliauskas LA, Padmanabhan L, Back-Madruga C, Lok AS, Stoddard AM; the HALT-C Trial Group. - Division of Gastroenterology, University of Michigan, Ann Arbor, Michigan, USA.

Carlos Varaldo - Grupo Otimismo