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segunda-feira, 12 de março de 2012

HEPATITE C

- Hepatite C (VHC) -
 Visão Geral:
            O vírus da hepatite C é transmitido quando o sangue contaminado por ele penetra na corrente sangüínea através de transfusões, acupuntura, agulhas ou seringas compartilhadas, tatuagens, piercings, instrumentos de manicure, ferimentos, entre outros.
            Como acontece com o VHB, numa parcela significativa de pacientes o meio de transmissão não é identificado.
            Cerca de 80% das infecções pelo VHC evoluem para casos crônicos. Atualmente, a cirrose e o câncer de fígado relacionados à hepatite crônica C são a maior causa de transplantes nos Estados Unidos.
            O VHC apresenta vários subtipos, os genótipos, que são importantes porque apresentam diferentes respostas ao tratamento. O genótipo 1, por exemplo, apresenta resposta mais difícil do que os demais (não-1).
            Segundo as estimativas da OMS, existem 170 milhões de pessoas contaminadas no mundo. No Brasil, esse número é de aproximadamente 3,2 milhões (1,88%).

As principais vias de transmissão do VHC:
1) Transfusão de sangue e derivados do sangue;
2) transplante de órgãos ou tecidos;
3) através de agulhas, seringas ou ferimentos;
4) da mãe para o bebê (pouco freqüente);
5) contato sexual sem preservativo (pouco freqüente);
6) Profissionais de saúde, agentes penitenciários e os usuários de drogas injetáveis são os maiores grupos de risco para a infecção pelo VHC através de transmissão por sangue contaminado.
            Também pode ocorrer contaminação através do compartilhamento de materiais como escovas de dente, barbeadores lâminas e utensílios de manicure contaminados. Tatuagens e piercings feitos com agulhas contaminadas também transmitem o vírus.
            Aproximadamente um terço dos pacientes contaminados pelo VHC não sabem o modo como contraíram a doença.

Prevenção:
            Não existe vacina contra a hepatite C. Poucos pacientes desenvolvem anticorpos contra as proteínas virais do VHC; assim, a vacinação não tem se mostrado eficaz.
            Na ausência de vacinas, a principal forma de prevenção contra o VHC é testar todo sangue coletado nos bancos de sangue, para assegurar que tanto ele como os seus derivados estejam livres do VHC. Também devem ser realizados exames em outros objetos de doação, como órgãos ou sêmen.
            Além disso, são necessários os cuidados com materiais que possam conter sangue contaminado, como alicates de unha, lâminas, barbeadores, escovas de dente, agulhas de seringas compartilhadas, entre outros.
            Uma das principais forma de prevenir a transmissão da hepatite C é examinar todo o sangue coletado nos bancos de sangue.

Sintomas:
            Na fase aguda da infecção os sintomas são leves ou ausentes, por isso ela raramente é diagnosticada nesse período.
            Os sintomas da infecção crônica também são leves, pelo menos no início. Dessa maneira, é comum o portador conviver vários anos com a doença sem saber que a possui. Na maioria das vezes, acaba por descobrir acidentalmente durante exames de sangue de rotina ou nos exames de triagem para doação de sangue.
            Nos casos em que o paciente apresenta sintomas, esses podem ser síndrome gripal, fadiga, falta de apetite, náuseas, vômito, febre e dores abdominais leves.

Infecções concomitantes:
            Estar contaminado com um tipo de hepatite não significa que você está isento de contrair outras formas de infecções. Pacientes com hepatite C que também contraem hepatite A corem um sério risco de ter hepatite fulminante - uma forma de evolução muito rápida e mortal da doença. Por isso, é importante que portadores da hepatite C sejam vacinados contra hepatite A e B.
            Existem também vários casos de pacientes contaminados com os vírus da hepatite C (VHC) e HIV. Nesta situação a hepatite tente a apresentar uma maior velocidade de progressão, podendo ocorrer cirrose mais precocemente. Este problema é preocupante já que os pacientes com AIDS têm apresentado excelentes resultados com o tratamento do HIV e, desta maneira, a hepatite passa a ser uma nova limitação a sua saúde. Vários estudos que investigam opções de tratamento para estes pacientes estão em andamento.

Como a hepatite C é diagnosticada?
            São feitos exames de sangue específicos, como:
Enzimas do fígado: Quando o fígado é atacado pelo vírus e as células começam a ser destruídas, as enzimas presentes dentro dessas células se elevam na corrente sangüínea. Os médicos fazem um teste sangüíneo que mede o nível da enzima ALT (alanina aminotransferase) e AST (aspartato aminotransferase). O próximo passo é determinar se é um vírus de hepatite que está causando o aumento do nível de enzimas hepáticas.
Anticorpos: os médicos usam testes tipo ELISA e RIBA para detectar a presença de anticorpos que seu organismo produz contra o vírus da hepatite C. Um teste de anticorpo VHC (anti-VHC ou anti-HCV) positivo indica exposição ao vírus, mas não diz se a infecção está presente ou se já foi curada.
Presença do RNA do vírus: Os médicos utilizam o teste PCR (reação de polimerase em cadeia) para procurar o RNA do VHC. O RNA é um conjunto de proteínas que carrega as informações sobre o vírus. Esse teste pode indicar se o vírus está presente no organismo. Há também um teste que verifica a carga viral, porém não é muito utilizado devido a ausência de padronização do método (uniformização do método).
Biópsia: A biópsia é a retirada de um fragmento do tecido, nesse caso, o fígado, para examinar a natureza das alterações nele existentes. As biópsias freqüentemente são solicitadas para distinguir hepatite viral de hepatite causada por outros fatores, como o alcoolismo, por exemplo.
            Além disso, indica também o grau do dano hepático (se existe fibrose ou cirrose e qual é o estágio). É importante para decidir-se sobre a necessidade ou não de tratamento.
            A hepatite C é uma doença de notificação compulsória, ou seja, o médico que a diagnosticou deve, obrigatoriamente, informar a secretaria de saúde do seu estado.

Como é a evolução da hepatite C?
            A hepatite C é uma doença que evolui lentamente e tem várias conseqüências possíveis:
1. Pacientes que não apresentam sintomas (assintomáticos) - Cerca de 70% a 90% dos portadores crônicos de hepatite C, não apresentam sintomas. Se ocorrem, são muito leves e por isso a infecção pode levar muitos anos para ser diagnosticada.
2. Infecção aguda - O período de incubação varia de 2 semanas a 6 meses e os pacientes, na maior parte das vezes, não apresentam sintomas clínicos.
3. Infecção crônica - Em adultos, a progressão da doença para a forma crônica é muito maior na hepatite C (cerca de 80%) do que na hepatite B (10%). Como já vimos, nesse caso, a doença pode danificar muito o fígado e progredir para cirrose ou até câncer.

            Existem alguns fatores que podem indicar a evolução para a hepatite crônica C:
  • Duração prolongada da infecção;
  • idade avançada na época da infecção;
  • alto consumo de álcool;
  • infecção pelo genótipo 1b do VHC;
  • infecção conjunta com a hepatite B ou o vírus da Aids.
Tratamento:
            O tratamento visa prevenir as complicações provocadas pela hepatite C (hepatite crônica, cirrose e câncer de fígado). O tratamento ideal deveria eliminar completamente o VHC do organismo do paciente, porém, não é possível atingir esse objetivo em todos os casos, com os medicamentos disponíveis atualmente.

            O único tratamento com eficácia comprovada contra a hepatite crônica C é o interferon alfa.

            Nenhuma outra droga comprovou ser eficaz nessa doença, embora muitas ainda estejam em estudo clínico. A combinação com uma droga denominada ribavirina tem demonstrado duplicar a taxa de resposta sustentada ao tratamento com interferon. Agentes antivirais, como o aciclovir, não demonstraram eficácia em pacientes com hepatite C.            
            O uso de agentes imunossupressores, como por exemplo, os corticosteróides - drogas que imitam os efeitos dos hormônios da glândula supra-renal, suprimindo a inflamação e a atividade dos leucócitos - está associado a uma progressão mais rápida para a cirrose, não sendo, portanto, indicados.

Hepatite Aguda C: Alguns estudos foram conduzidos durante a fase aguda da infecção pelo VHC e os resultados demonstraram que a terapia com IFN- produz redução significativa no número de pacientes que desenvolvem a infecção crônica.

            É pouco provável, contudo, que a droga seja administrada na fase aguda, devido à relativa ausência de sintomas da hepatite aguda C, o que torna o diagnóstico muito difícil.
Hepatite Crônica C: IFN-, combinado com a ribavirina, é o tratamento padrão para pacientes com hepatite crônica C, durante 12 meses para o genótipo 1 e 6 meses para os genótipos não-1. Essa é a terapia utilizada atualmente no Brasil.
            Não há critérios universalmente aceitos para avaliar a resposta definitiva à terapia. A eficácia, assim, deve ser medida em termos de "cura", ou seja, eliminação completa do vírus e prevenção das lesões ao fígado.
            Entre 50% a 85% dos pacientes respondem inicialmente à terapia, obtendo níveis normais de enzimas do fígado no final do tratamento (resposta primária ou resposta completa ao final do tratamento). Aproximadamente 30% dos pacientes que utilizam a terapia combinada (IFN + ribavirina) obtêm resposta favorável por longos períodos (resposta sustentada).
            O tratamento para hepatite crônica C no Brasil é a combinação interferon alfa + ribavirina por 1 ano para os genótipos 1 e 6 meses para os genótipos não-1.
            A terapia combinada de interferon e ribavirina não deve ser utilizada por mulheres grávidas, pois oferece o risco significativo de má formação do feto.
            Mulheres não devem começar o tratamento até que se certifiquem de que não estejam grávidas, através de um exame adequado. Homens e mulheres em idade fértil, devem fazer uso de métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento e por mais seis meses após o término.
Convivência com o problema:
            É muito importante aprender a estar informado sobre a hepatite C. Mantenha acompanhamento médico, decidindo junto com o especialista o melhor caminho para tratar a hepatite.
            O tratamento para hepatite C pode causar vários efeitos colaterais. Se você está em tratamento, tenha em mente que todos esses efeitos são passageiros e procure seguir as orientações do médico, aplicando corretamente as doses do medicamento e nos espaços de tempo prescritos.
            Alguns conselhos básicos podem ajudar a reduzir os problemas relacionados ao uso da medicação:
1- Para aliviar febres e dores de cabeça, você pode utilizar o analgésico paracetamol, sempre com a aprovação prévia de seu médico;
2- aplicando as injeções de interferon à noite, antes de deitar-se, os picos de concentração do medicamento (e conseqüentemente, os picos dos efeitos colaterais) são atingidos durante o sono;
3- procure evitar situações estressantes e não se desgaste fisicamente;
4- sempre que possível pratique exercícios leves, como caminhadas;
5- tenha uma dieta equilibrada.
            Geralmente os efeitos colaterais vão diminuindo após as primeiras semanas de tratamento e a maior parte dos pacientes consegue viver normalmente durante a terapia.
            Quando houver qualquer dúvida, converse francamente com seu médico. Se necessário, converse também com seus familiares, amigos e até mesmo seu empregador sobre a redução de suas tarefas.
            Procure encontrar nos médicos, enfermeiros e associações de pacientes, o suporte necessário. Os grupos de portadores de hepatite, organizam reuniões e os freqüentadores sentem-se mais encorajados a fazer o tratamento, além de aprenderem muito sobre como encarar o novo desafio com valiosas dicas de qualidade de vida.
            Já existem no Brasil vários Grupos de Apoio a portadores da hepatite C e, dentre eles, podemos relacionar os seguintes e-mails:
            Há, também, um excelente site que deve ser visitado:
            Sugerimos, ainda, adquirir o livro "Convivendo com a hepatite C"  que poderá ser comprado diretamente do autor Carlos Varaldo, através do e-mail cvaraldo@yahoo.com. É uma obra indispensável aos portadores e aos familiares.


Mais informações e referências bibliográficas:
1. FOCACCIA, Roberto. Hepatites virais. 1.ed. São Paulo. Atheneu, 1997.
2. Protocolo técnico para tratamento da hepatite C - Ministério da Saúde, junho de 2000.
3. SCHINAZI, Raymond F. et al. Therapies for viral hepatitis. 1.ed. London. International Medic Press, 1998.
4. SILVA, Adávio de Oliveira; D'ALBUQUERQUE, Luiz A. Carneiro. Doenças do fígado Volume I e II. 1.ed. Rio de Janeiro. Revinter, 1996.

HEPATITE A

- Hepatite A (VHA) -

Prevenção:

            Existe vacina para prevenir a infecção pelo VHA. Para os portadores crônicos de hepatite B e de hepatite C, a vacinação contra hepatite A é gratuita. Informe-se nas secretarias de saúde de seu estado sobre onde vacinar-se.
            Além disso, medidas de saneamento básico constituem outra forma importante de prevenção,  já que a doença é transmitida por via fecal-oral, através de alimentos e água contaminados com o vírus.

Como a hepatite A é diagnosticada?

            São feitos exames de sangue específicos, como:

Enzimas do fígado: Quando o fígado é atacado pelo vírus e as células começam a ser destruídas, as enzimas presentes dentro dessas células se elevam na corrente sangüínea. Os médicos fazem um teste sangüíneo que mede o nível da enzima ALT (alanina aminotransferase) e AST (aspartato aminotransferase). O próximo passo é determinar se é um vírus de hepatite que está causando o aumento do nível de enzimas hepáticas.

Anticorpos: Os anticorpos são produzidos pelo sistema imunológico para responder ao ataque de invasores ao organismo. Os médicos fazem um teste anti-HAV para detectar se há presença do anticorpo produzido contra o vírus, o que indicará contato do paciente com ele.

Tratamento da hepatite A:

            Como a maioria das infecções causadas pelo VHA, são agudas, o tratamento médico não é necessário para eliminar o vírus. Entretanto, os médicos podem prescrever medicamentos para tratar os sintomas causados pela doença, como dor de cabeça e náuseas, ou dar soro para prevenir a desidratação.
            Normalmente os pacientes podem se recuperar em casa. Evitar o álcool é uma recomendação comum, porque como é uma substância tóxica, o álcool debilita ainda mais o fígado.

Hepatite!

Chamamos de hepatite toda inflamação no fígado. Esta inflamação pode ter diversas causas, como veremos a seguir. Com a inflamação, são destruídas células do fígado (hepatócitos e outros), com diversas conseqüências ao organismo.

Fígado Normal ao Microscópio
   As hepatites podem ter várias causas. As hepatites virais são todas diferentes em sintomas, gravidade e tratamento. Como as mais comuns aqui no Brasil são as causadas por vírus de nomes semelhantes (AB e C), muitos pensam que são parecidas, ou que esses nomes indiquem que exista uma seqüência de gravidade da infecção. Mas isso foi apenas um modo de facilitar o estudo.

Fígado com Hepatite A
   A hepatite também pode ser causada por infecções generalizadas que acabam por atacar também o fígado, por substâncias tóxicas como o álcool, por erros do nosso próprio sistema imunológico ou do metabolismo, por mais de um modo diferente e através de outros mecanismos que ainda não conhecemos.

Algumas causas de hepatites
Vírus




Hepatite E



por outros vírus
Bacterianas
Hepatite trans-infecciosa
Distúrbios de imunidade



Síndrome mista / de sobreposição
Distúrbios do metabolismo
Hemocromatose
Deficiência de alfa-1-antitripsina
Doença de Wilson
Substâncias tóxicas

Outros
   A hepatite pode surgir rapidamente com sintomas mais intensos (hepatite aguda) ou lenta e menos sintomática (hepatite crônica). Algumas doenças, com a hepatite A, costumam causar apenas a hepatite aguda. Outras, como a hepatite B, podem apresentar um quadro agudo e depois manter uma inflamação menor por um longo período, tornando-se crônica. Outras, como a hemocromatose e a hepatite autoimune, costumam se apresentar como se fossem hepatites agudas, mas na verdade são crônicas.


HAV
HBV
HCV
HDV
HEV
Transmissão
Enteral
Parenteral
Parenteral
Parenteral
Enteral
Período de incubação (dias)
15-50
28-160
14-160
28-160
20-40
Progressão para doença crônica
nunca
ao nascimento: >90%
<2 anos: <5%
70-85%
co-infecção: <5%
superinfecção: >95%
nunca
   Na hepatite aguda, os sintomas podem variar bastante. Dependendo da causa, eles podem não aparecer. Na maioria das vezes, a hepatite aguda surge com um quadro parecido a de uma gripe, com mal estar, fraqueza, febre, dores e náuseas. Quadros mais intensos podem vir com icterícia, que é um amarelamento da pele e dos olhos causado pelo acúmulo de bile no sangue. Felizmente, hepatites agudas graves, chamadas de fulminantes e subfulminantes, são raras. Além dos sintomas habituais, surgem alterações de comportamento, sonolência e confusão, sinais de que o fígado não está conseguindo eliminar toxinas do organismo (encefalopatia hepática).

Diagnóstico diferencial das hepatites agudas
anti-HAV IgM
anti-HBc IgM, HBsAg
anti-VHC, RNA-VHC
anti-HDV, HBsAg
Hepatite E
anti-HEV IgM
adultos: anticorpos heterotróficos (Paul-Bunnel-Davidson)
crianças: anti-VEB IgM
anti-CMV IgM
Infecção por herpes (imunossuprimidos)
sorologia ou cultura de vírus corpúsculos de inclusão em biópsia hepática
Leptospirose
clínica; pesquisa em campo escuro; sorologia
Sepsis ("hepatite transinfecciosa")
culturas (sangue, urina, etc.)
Sífilis
clínica e sorologia
Toxoplasmose
clínica e sorologia
clínica
Hepatite isquêmica
clínica; LDH
Hepatite crônica agudizada
clínica; auto-anticorpos (hepatite autoimune)
anel de Kayser-Fleischer; ceruloplasmina; cobre urinário
Esteatose aguda na gravidez
3o. trimestre; transaminases pouco elevadas; insuficiência renal
Colecistite aguda
clínica; enzimas; ecografia

Fígado com Esteato-hepatite Não-alcoólica
   Na hepatite crônica, ocorre uma destruição lenta das células do fígado, que aos poucos vão se regenerando ou formando cicatrizes. Nessa fase, praticamente não há sintomas. Por esse motivo, muitas pessoas não descobrem a doença até que seja tarde demais. O que acontece é que a destruição das células do fígado pode chegar a um ponto em que a regeneração não é mais possível e o fígado pode não ser mais capaz de funcionar normalmente. Isso, junto com a formação de cicatrizes no fígado, é o que chamamos de cirrose.

Fígado com Cirrose

domingo, 24 de julho de 2011

CONSUMO ABUSIVO DE ÁLCOOL AUMENTOU TRÊS PONTOS PERCENTUAIS EM DOIS ANOS

Matéria de 24/02/2010

O percentual de consumo abusivo de bebidas alcoólicas aumentou de 16,1% em 2006, para 17,5%, em 2007, e 19%, em 2008, de acordo com pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). O mesmo estudo constatou que as mulheres estão bebendo mais, sendo que o percentual entre elas foi de 10,5% em 2008, enquanto nos anos anteriores eram de 9,3%, em 2007, e de 8,1%, em 2006. Entre as cidades analisadas, a capital que mais se destaca é Salvador, com 24,9% do consumo abusivo de álcool entre a população, seguida de Belém (PA) e Palmas (TO), ambas com 23,7%. Curitiba registrou o menor número, com 17,8%.

Para Gustavo Gusso, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), é preciso detectar o que desencadeou o problema do alcoolismo, como morte, desemprego, depressão, fatores que podem levar a um consumo descontrolado. Ele ressalta que a grande preocupação do médico de família e comunidade é tratar o indivíduo como um todo, utilizando o trabalho de uma equipe multidisciplinar e a participação da família no tratamento do paciente. Mas ressalta que, para isso, é necessário que o alcoólatra reconheça que precisa de ajuda.

Fonte: SBMFC

DOENÇA HEPÁTICA ASSOCIADA AO ÁLCOOL

Matéria de 15/09/2010
O alcoolismo é um problema comum que afeta milhares de brasileiros.
Os homens são mais atingidos que as mulheres. Jovens do sexo masculino com história de alcoolismo na família e dificuldade de relacionamento fazem parte da população de risco para o alcoolismo. Marcadores biológicos específicos para o risco de desenvolver o alcoolismo não foram identificados.

O ALCOOLISMO PODE CAUSAR DOENÇAS DO FÍGADO?
A maioria das pessoas que consome álcool não sofre danos significativos no fígado. Entretanto, o consumo crônico e/ou excessivo de álcool pode causar uma variedade de problemas hepáticos incluindo excesso de gordura no fígado (esteatose), hepatite alcoólica (inflamação do fígado) e, finalmente, cirrose (dano permanente ao fígado).

A hepatite alcoólica e a cirrose alcoólica desenvolvem-se em aproximadamente 15 a 20% dos alcoólatras. Grosseiramente quer dizer que, 1 em cada 5 alcoólatras, vai ter problemas de saúde graves relacionados ao álcool. Estas pessoas poderão morrer de insuficiência hepática, quando o fígado para de funcionar, causada por uma hemorragia digestiva, infecção ou insuficiência renal (rins param de funcionar).

O transplante de fígado só é permitido a pacientes que se afastam do álcool por um período de vários meses. O porquê algumas pessoas que ingerem álcool tem doenças hepáticas e outras não, ainda não está bem esclarecido, mas alguns estudos apontam para uma predisposição genética. Algumas pessoas são geneticamente mais susceptíveis aos efeitos do álcool do que outras e não existem testes laboratoriais para se determinar quem é e quem não é.

Atualmente a cirrose está entre as 7 maiores causas de morte no mundo ocidental. A causa mais comum da cirrose é o alcoolismo. Ainda, o abuso de álcool aumenta o risco de pancreatite (inflamação do pâncreas), miocardiopatias (doença do músculo do coração), traumas (secundários a acidentes por embriagues) e o desenvolvimento de inúmeras doenças em recém nascidos de mães alcoólatras.

QUANTO DE ÁLCOOL É NECESSÁRIO PARA CAUSAR DANOS AO FÍGADO?
A quantidade de álcool é bastante variável. Algumas pessoas são extremamente sensíveis aos efeitos do álcool, enquanto outras parecem ser completamente imunes. Em regra, quanto maior a quantidade e o tempo de consumo, maior a chance de desenvolver danos no fígado. Consumos diários em torno de 20-40 gramas de álcool em mulheres e 80 gramas em homens levam ao desenvolvimento de cirrose em aproximadamente 10 anos.

PORQUE AS MULHERES SÃO MAIS SENSÍVEIS QUE OS HOMENS?
As mulheres são mais sensíveis aos efeitos do álcool. Vários estudos têm mostrado esta predominância, porém, sem determinar a causa exata. Sabe-se que as mulheres possuem níveis menores de uma enzima conhecida como desidrogenase lática. Esta enzima é responsável pela "digestão" do álcool diminuindo a quantidade de álcool que chegará a corrente sanguínea. Por isso que a maioria das mulheres sente os efeitos do álcool com menor quantidade ingerida.

QUAIS AS DOENÇAS CAUSADAS PELO EXCESSO DE ÁLCOOL?
1. ESTEATOSE HEPÁTICA (ACÚMULO DE GORDURA NO FÍGADO) - Pode ocorrer em pessoas que fazem consumo constante de bebidas alcoólicas e não são obrigatoriamente alcoólatras. Existe um acúmulo de pequenas bolsas de gordura no tecido hepático levando a um aumento do volume do fígado. Exames de sangue podem identificar danos precoces ao fígado. Quando a ingestão de álcool é interrompida, a esteatose hepática desaparece e o fígado se recompõe totalmente;
2. HEPATITE ALCOÓLICA - Esta é uma condição grave onde o fígado foi bastante danificado pelos efeitos do álcool. A doença é caracterizada por fraqueza, febre, perda de peso, náusea, vômitos e dor sobre o local do fígado. O fígado está inflamado causando a morte de múltiplas células hepáticas. Diferente da esteatose, a hepatite alcoólica, depois de curada, deixa cicatriz permanente no fígado (FIBROSE). A hepatite alcoólica é uma doença pode oferecer risco de vida e requer hospitalização. Com o tratamento adequado a hepatite alcoólica melhora, porém, as cicatrizes permanecem para sempre; e,
3. CIRROSE HEPÁTICA - Este é o estágio final dos danos causados pelo álcool ao fígado. A cirrose é uma forma de dano permanente e irreversível ao fígado. Esta fibrose leva a uma obstrução à passagem do sangue pelo fígado impedindo o fígado de realizar funções vitais como purificação do sangue e depuração dos nutrientes absorvidos pelo intestino. O resultado final é uma falência hepática. Alguns sinais de insuficiência hepática incluem acúmulo de líquido no abdômen - ascite (barriga d’água), desnutrição, confusão mental (encefalopatia) e sangramento intestinal. Algumas destas condições podem ser contornadas por medicações, dietas e procedimentos especializados, mas o retorno a normalidade não é possível.

COMO SE SABE SE A PESSOA TEM ESTEATOSE, HEPATITE ALCOÓLICA OU CIRROSE?
A ultrassonografia muitas vezes é capaz de visualizar a presença de esteatose ou cirrose hepática. Exames de sangue são bastante úteis para determinar se o fígado apresenta suas funções básicas comprometidas, porém a biópsia hepática é o exame de eleição para se saber o grau de comprometimento e determinar a causa da doença. A biópsia hepática é um procedimento que pode ser realizado em clínicas ou ambulatórios não necessitando o internamento do paciente. Realizado com anestesia local, o paciente é liberado em seguida para retorno as suas atividade habituais recomendando-se apenas que evitem fazer qualquer esforço físico.

EXISTEM COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS À DOENÇA HEPÁTICA ALCOÓLICA?
Sim, aproximadamente um terço dos pacientes com cirrose hepática tem história de infecção pelo vírus da hepatite C e cerca de 50% terão pedras na vesícula. Pacientes com cirrose tem maior chance de desenvolver diabetes, problemas nos rins, úlceras no estômago e duodeno e infecções bacterianas severas.

SE EU TENHO ALGUM GRAU DE COMPROMETIMENTO DO FÍGADO, ISTO PODE AFETAR MEU TRATAMENTO COM OUTRAS MEDICAÇÕES?
Sabe-se que uma das funções do fígado é o processamento de medicações e outros produtos químicos no seu corpo. Se você tem problemas hepático é de se esperar que o processamento dessas medicações se faça de maneira diferente daquilo que acontece em pessoas normais. Sempre que for prescrito algum medicamento, converse com seu médico a respeito do problema e sobre qualquer modificação nas dosagens, se necessário. Mesmo a presença de álcool na corrente sanguínea em pacientes não cirróticos pode causar alterações no processo de funcionamento de algumas medicações. Medicações e álcool não formam uma boa combinação.

QUAIS OS TRATAMENTOS DISPONÍVEIS?
De todos os tratamentos para doença alcoólica hepática, o mais importante é parar de beber. Algumas vezes o fígado apresenta uma pequena recuperação, suficiente para manter as suas funções vitais permitindo a pessoa ter uma vida normal. Quando a cirrose evolui para seu estágio final, a única solução é o transplante hepático. Somente pessoas que pararam de beber por longo prazo e estão em programas de reabilitação para alcoólicos são considerados candidatos para o transplante. (Qualquer outra dúvida procure seu Médico).

Álcool agrava Hepatite C

Matéria de 15/08/2007

Portadores de hepatite C que consomem bebidas alcoólicas com frequencia tendem a desenvolver maior atividade da doença. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da USP com 120 pessoas que se candidataram à doação de sangue e foram recusadas por portarem o vírus HCV. Verificou-se que as que não ingeriam álcool apresentavam a doença em menor grau.

“Três milhões de brasileiros têm Hepatites B e C”, alerta Dr. Drauzio Varella

Primeiro episódio da nova série explica a diferença entre os tipos de hepatite e dá detalhes da forma crônica da doença.

“Minha vida era normal, como a de todo garoto de 22 anos. Não sentia sintoma algum, não sentia dor. Nada que me indicasse que eu tinha esse vírus da hepatite”, conta um jovem.
“Fiquei apavorada, assustada, porque eu não tinha informação sobre a doença. Mas como era uma questão de uma gestação, você se preocupa mais”, relata Juíara.
“Não posso andar no sol, pular, correr. A comida que eu comia antes eu não posso comer. É diferente”, explica uma criança.
“Até oito, dez anos atrás, ninguém tinha ideia do que é hepatite. Só sabiam que existia, mas ninguém tinha ideia do que era. Tinham algumas prevenções que não tinham nada a ver. Por exemplo, comer em prato separado”, diz Gilberto.

Nesta série, vamos falar das hepatites e você verá que as hepatites são causadas por vírus completamente diferentes uns dos outros. Alguns provocam uma doença benigna, quase sem complicações. Outros, como os vírus das hepatites B e C, provocam uma infecção crônica, que leva à cirrose e ao câncer de fígado.

Sabe quantos brasileiros existem nessa situação? Três milhões. Sabe quantos foram identificados? Cerca de 150 mil. As hepatites são uma epidemia. Infelizmente, uma epidemia ignorada.

O fígado normal é lisinho e pesa 1,2kg, 1,5kg mais ou menos. É o laboratório químico do organismo. Todo sangue passa por ele. Aí ele produz proteínas e elimina as toxinas, tanto as que vêm de fora quanto aquelas produzidas pelo próprio organismo. Os vírus das hepatites B e C são tão pequenininhos que não adianta colocar no microscópio porque a gente não consegue enxergar.

Eles infectam as células do fígado e isso faz um processo inflamatório crônico. As células vão sendo destruídas e aí o organismo vai perdendo a capacidade de formar proteínas e eliminar toxinas. A pessoa vai ficando intoxicada. Ao mesmo tempo, as células que morrem são substituídas por umas cicatrizes que vão distorcendo a forma do fígado e atrapalhando a circulação.

E, com isso, aumentam os riscos de sangramentos. Isso é um processo silencioso que dura 10, 20, 30 anos. A pessoa está doente, mas não sabe. Só vai apresentar sintomas quando o fígado estiver em péssimas condições.

“Quando eu descobri que estava grávida eu já fui fazer meus exames de pré-natal. E foi quando eu descobri, nesta segunda gestação, que eu era portadora da hepatite B”. A gravidez trouxe felicidade, mas também preocupação para Juíara, de Vacaria, Rio Grande do Sul. O momento do parto é uma das formas mais comuns de transmissão da doença.

Na coxa direita, o bebê toma a vacina contra hepatite B, como as outras crianças. Mas como a mãe tem hepatite B, na coxa esquerda ele recebe a imunoglobulina que contém anticorpos contra o vírus. Além de passar da mãe para o filho, o vírus da hepatite B também é transmitido por objetos cortantes contaminados por sangue.

Uma pesquisa realizada em salões de beleza da cidade de São Paulo mostrou que há muita desinformação. Só 20% das manicures tinham tomado a vacina. Além disso, 8% eram portadoras de hepatite B. Você tem que ter certeza que o material foi esterilizado.

A manicure vai, faz a unha de uma pessoa, sai um pouquinho de sangue e ela depois vai e faz a sua unha, fura sem querer a cutícula, esse vírus – que é uma coisa muito pequena entra e cai na sua circulação. Você usa escova de dentes dos outros? Então, material de manicure é a mesma coisa. Cada um tem que ter o seu. E se usar o material do salão de beleza tem que ter certeza de que ele foi esterilizado adequadamente.

“Em 1979, em fevereiro, nasceu minha filha Rita, a quarta de cinco filhos. Quando nascia algum filho meu, eu fazia doação de sangue. Naquele dia, o médico do hospital falou que eu não poderia mais ser doador porque eu era portador de hepatite B. O único jeito de saber, naquele tempo, era doando sangue. Não tinha exame de sangue como hoje.” Gilberto é um caso típico de hepatite B crônica. Não sentia nada, descobriu por acaso que era portador do vírus e continuou vivendo bem, sem nenhum sintoma de que a doença estava ficando grave.

“Quando foi o ano passado, eu fui ao hospital e a doutora falou para mim: ‘Olha, você está com três nódulos cancerígenos, vai ter que tratar. Se você melhorar, tudo bem. Se não melhorar, entra na fila do transplante”, conta Gilberto.

Como o fígado é um órgão que sofre calado, esses portadores crônicos não sentem nada. Só descobrirão que estavam infectados 20, 30 anos mais tarde, quando vierem a cirrose e o câncer de fígado.

“E a há quase dois anos, quando encontrei a Andrea, no primeiro eu tomei um chope preto, ela tomou um suco. Eu perguntei se a gente podia se encontrar de novo e ela falou: ‘Pode, desde que você não beba’. Aí parei de tomar cerveja, faz quase dois anos”. Os portadores de hepatite B não devem tomar bebidas alcoólicas. O álcool é tóxico para o fígado.

Hepatite B tem vacina. A única forma de acabar com a doença no Brasil. O certo era vacinar todo mundo, mas como o Ministério da Saúde não recebe recursos financeiros suficientes, decidiu estabelecer prioridades. Podem receber a vacina gratuitamente todos na faixa até 24 anos. Além deles, os profissionais de saúde, os policiais, as manicures, os portadores do HIV, além de outros grupos. A vacina tem três doses. Você toma a primeira hoje, a segunda daqui a 30 dias, a terceira daqui a seis meses. Seis meses contados a partir da primeira dose. Precisa tomar as três doses.

Chapecó faz parte de uma região que recebeu grande número de imigrantes italianos no início do século passado. Com eles, veio o vírus da hepatite B. Hoje, 7% dos habitantes da cidade são portadores crônicos do vírus B. Um número altíssimo. A partir de 1995, Chapecó desenvolveu um programa exemplar de vacinação que acabou com a hepatite B entre as crianças e que eliminará o vírus nas gerações futuras.

“A gente prima muito pela prevenção. O que a gente quer é que as pessoas completem o esquema. Façam a primeira, a segunda e a terceira dose. Nós temos uma boa cobertura de vacinação. Sempre acima de 98% das crianças são vacinadas. O Ministério preconiza até 95%, agente tem, sempre, a partir de 98%”, relata a coord. Setor de Tuberculose, Maria Luiza Trizotto.

“Eu estou montando um livro, já estou com 80 e poucos artigos, agora vou fechar o livro. Estou com dificuldade porque não estou me sentindo bem. Então, a única chantagem que eu fiz com Deus foi essa: ‘Vamos maneirar esse câncer aí porque eu preciso fazer o livro”, brinca Gilberto.

“Eu acho que, como mãe ou como qualquer outra pessoa, você deve correr atrás. Quanto mais um filho seu. Foi o que eu fiz. Fui atrás para manter ele livre. Livre da hepatite”, diz Juíara.


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