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segunda-feira, 12 de março de 2012

Hepatite B (VHB)

 Hepatite B (VHB) -
Visão geral:
            O vírus da hepatite B (VHB), que causa uma séria forma de hepatite, é transmitido quando o sangue ou fluidos orgânicos contaminados por ele penetram na corrente sangüínea, através de injeções ou ferimentos.
            O VHB pode ser encontrado no sangue, na saliva, no sêmen, na secreção vaginal, no fluxo menstrual e no leite materno. Todas essas secreções podem eventualmente transmitir o vírus, que é bastante resistente ao meio ambiente.
            Em um número significativo de pacientes, o meio de transmissão não é identificado.
            De acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), 2 bilhões de pessoas foram contaminadas pelo VHB. Dessas pessoas, 300 milhões evoluíram para doença crônica (2002).

As principais vias de transmissão do VHB:
1) Da mãe para o bebê;
2) contato sexual sem preservativo;
3) através de agulhas, seringas, transfusões ou ferimentos;
4) transplante de órgãos ou tecidos;
5) profissionais de saúde, agente penitenciários e os usuários de drogas injetáveis são os maiores grupos de risco para a infecção pelo VHB através da transmissão por sangue contaminado.
            Além disso, é muito comum a transmissão do VHB aos membros de uma mesma família através do uso compartilhado de escovas de dente, barbeadores e lâminas contaminadas. Tatuagens e piercings feitos com agulhas contaminadas também transmitem o vírus.
            O programa Nacional de Imunizações está implementando gradativamente a vacinação em todo o país para a faixa etária menor de 20 anos e além disso, é importante usar o preservativo durante o contato sexual,  já que o vírus é facilmente transmitido dessa maneira.

Prevenção:
            A maior parte das opções terapêuticas para prevenir ou tratar a infecção pelo VHB envolve o uso de medicamentos que irão estimular o sistema de defesa do indivíduo, obtendo, assim, respostas imunológicas naturais. Pacientes com cirrose também podem ser submetidos a tratamento. Nesses casos é importante realizar exames para detecção do câncer de fígado (CHC ou carcinoma hepatocelular).
            Os pacientes com infecção aguda pelo VHB normalmente se recuperam espontaneamente e não necessitam de terapia antiviral. Contudo, os pacientes que desenvolvem a hepatite crônica B devem receber tratamento para limitar as complicações relacionadas à infecção em longo prazo.
            A vacinação é, hoje, o método mais adequado para impedir a disseminação do vírus da hepatite B. O atual calendário de vacinação impõe a imunização de recém-nascidos, o que não significa que adultos não devam ser vacinados.
            As vacinas mais comumente utilizadas estão baseadas no antígeno HBs. Oferecem proteção contra o VHB em aproximadamente 95% dos indivíduos imunocompetentes vacinados. Normalmente são administradas três doses. Após a primeira dose, o intervalo para a segunda e a terceira é de 1 e 6 meses, respectivamente.

Tratamento:
            Pacientes com infecção aguda normalmente curam-se espontaneamente e não precisam de terapia contra o vírus. Os pacientes com hepatite crônica devem ser tratados para limitar as complicações associadas com a infecção em longo prazo.          
Objetivos do tratamento
- inibir a multiplicação do VHB;
- reduzir a infectividade do vírus;
- ajudar a reduzir a necrose e a inflamação do fígado;
- prevenir o desenvolvimento da cirrose e do câncer no fígado.
            Não há um tratamento padrão para a hepatite B, porém vários agentes estão sendo usados na prática clínica:

Interferon alfa (IFN-) - é muito usado no tratamento da infecção crônica pelo VHB, pois estimula o sistema de defesa natural do indivíduo a combater a infecção.
            Em média, 30% a 40% dos pacientes respondem à terapia com IFN-.
            Durante o tratamento, a resposta é avaliada, dentre outras maneiras, pela soroconversão, que é o desaparecimento do antígeno HBe e surgimento de anticorpos anti-HBe. Geralmente isso ocorre 2 a 4 meses após o início do tratamento, quando os níveis de RNA do VHB diminuem rapidamente (diminuição da carga viral). No entanto, a inflamação do fígado ainda pode ser detectada vários meses após a soroconversão.

Agentes antivirais - inibem a multiplicação do vírus. Os agentes antivirais (vidarabina, aciclovir, ribavirina, lamivudina, foscarnet) inibem a multiplicação viral por interromper a síntese do DNA do VHB.
            Os agentes antivirais inibem a multiplicação do vírus. A enzima DNA-polimerase é responsável pela "montagem" de novas tiras do DNA na célula infectada. Os antivirais agem nesse processo, reduzindo a taxa de produção de novos filamentos de DNA viral, ou seja, de novos vírus.
            A lamivudina é um agente que vem ganhando espaço no tratamento da hepatite crônica B. Em doses orais superiores a 100 mg/dia ela suprime o VHB, porém, se o tratamento for interrompido, o vírus volta a se multiplicar. O tempo de uso da medicação ainda não foi definitivamente estabelecido.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Começa força-tarefa para vacinar 5,8 milhões contra hepatite B em SP Meta da campanha é aproveitar férias escolares para imunizar população. A partir de 2012, vacina é ampliada a pessoas até 29 anos.

A Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo começa a partir desta quarta-feira (11) uma força-tarefa para imunizar cerca de 5,8 milhões de paulistas contra a hepatite B. Neste ano, a vacina foi ampliada para atender a população até 29 anos de idade. Antes, essa imunização estava disponível gratuitamente para jovens até 24 anos.
A mudança na faixa etária que tem direito à vacina por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) vai beneficiar 3,7 milhões de pessoas. Cerca de 2,1 milhões de paulistas até 24 anos também vão poder completar o calendário de três doses da imunização contra a doença.
A meta da secretaria é aproveitar o período de férias escolares para imunizar a maior parte da população, especialmente adolescentes entre 15 e 19 anos. Segundo a secretaria, 1 em cada 3 jovens nesta idade ainda não foram vacinados em São Paulo. Os meses de janeiro e fevereiro terão regime de vacinação reforçados pelos municípios.
Postos de saúde paulistas funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. A vacina contra hepatite B também é obtida de graça por pessoas em grupos de risco como profissionais da indústria do sexo, usuários de drogas injetáveis, manicures, podólogos, profissionais da saúde e homens que fazem sexo com outros homens.
A segunda dose deve ser dada um mês após a inicial. Já a última imunização deve ser feita após seis meses da primeira.
Do G1, em São Paulo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Estudo mostra redução de casos de hepatites A, B e C no País entre 1999 e 2010

O Ministério da Saúde divulgou dia 28 de julho os dados do Inquérito Nacional de Hepatites Virais, maior pesquisa sobre o tema já realizada na América Latina. O estudo revela mudanças no padrão de ocorrência dessas doenças no Brasil, com redução das infecções dos tipos A, B e C entre 1999 e 2010.

De acordo com os dados, o percentual da população que tem ou já teve hepatite (prevalência) nas capitais brasileiras e no Distrito Federal foi de 39,5% para o tipo A, 0,37% para o vírus B e 1,38% para o tipo C. 

Segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), a frequência de casos encontrados (chamada endemicidade) das hepatites B e C é considerada baixa no Brasil. No caso da hepatite A, a taxa varia entre intermediária e baixa. Até o momento, estimativas da OMS classificavam o País na faixa de endemicidade intermediária a alta, porém não se baseavam em estudos amplos e atuais. 

“Os números encontrados no novo estudo são reflexos claros da melhoria das condições sanitárias, no caso da hepatite A, e do impacto da vacinação contra hepatite B”, avalia o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 
Mais de 26 mil pessoas participaram da pesquisa: 6.468 fizeram teste para hepatite A e 19.634 realizaram exames para detectar os vírus B e C. A população residente no conjunto das capitais representa 23,8% da população total do País – mais de 45 milhões de habitantes. O estudo é um retrato aproximado da prevalência das hepatites virais no Brasil. 

Se o padrão observado nas capitais e no DF for considerado para todo País, a estimativa de prevalência para a população brasileira geral é de 20,5 milhões que já tiveram, em algum momento de sua vida, infecção pelo vírus da hepatite A, 800 mil pelo vírus B e 1,5 milhão pelo tipo C. 

Para o vírus tipo A, participaram do inquérito pessoas de 5 a 19 anos, faixa etária em que a prevalência permite realizar inferências sobre o padrão de ocorrência da doença. No caso dos vírus B e C, participaram indivíduos de 10 a 69 anos. 
 
Hepatite A
O estudo indica que, quanto menor o nível socioeconômico, maior a frequência de casos de hepatite A. É o que acontece nas capitais da região Norte, que apresentam a maior prevalência da doença (58,3%). “Isso mostra a influência do acesso ao saneamento, que é menor nessas capitais, favorecendo uma maior circulação desse vírus”, observa Dirceu Greco, diretor do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério.

Chama atenção o dado de que, em todo o Brasil, menos pessoas estão tendo contato com a doença na infância. Nessa fase da vida, a hepatite A se apresenta como uma doença de cura espontânea, sem deixar sequelas. A redução de casos nessa faixa etária é consequência da ampliação no acesso ao saneamento básico, observado em todo País. 
 
Tipo B
Nas capitais brasileiras e no DF, a prevalência da doença é 10 vezes maior nas faixas etárias mais elevadas – 0,6% entre pessoas de 20 a 69 anos e de 0,06% entre jovens de 10 a 19 anos. O dado reflete a principal forma de transmissão desse tipo da doença, por meio de relação sexual.

Além disso, a baixa frequência de casos entre crianças e adolescentes decorre da vacinação contra a hepatite B, disponível no Sistema Único de Saúde. Desde 1998, o Ministério da Saúde incluiu a vacina no calendário básico e, a partir de 2001, começou a ofertá-la para crianças e adolescentes.
 
Hepatite C
Entre as hepatites virais, a do tipo C é a que exige mais atenção, pois se os casos não forem diagnosticados precocemente, aumentam a possibilidade de agravamento da saúde dos pacientes, que passariam a ter um quadro crônico da doença.

Muitas pessoas infectadas não sabem que têm o vírus da hepatite C, doença que pode permanecer sem sintomas por até 20 anos. O diagnóstico, disponível na rede pública de saúde, só pode ser feito por meio de testes em laboratório. A descoberta tardia da hepatite C – quando os pacientes apresentam lesões importantes no fígado, incluindo câncer e cirrose hepática – é a principal causa de indicação de transplante de fígado no Brasil.

De acordo com o Inquérito Nacional de Hepatites Virais, a maior prevalência da hepatite C está nas capitais da região Norte (2,1%) e a menor, no Nordeste (0,7%).

A principal forma de transmissão da hepatite C é a sanguínea, por meio do compartilhamento de seringas contaminadas ou objetos que cortam e perfuram, como alicates, tesouras e agulhas de tatuagem. A doença também é transmitida da mãe para o filho (durante a gravidez ou no parto) e na relação sexual sem preservativo. 

A transfusão de sangue não é mais um fator de risco, pois desde 1993 há controle minucioso da qualidade do sangue em relação às hepatites. 
 
Testes
Atualmente, os testes para hepatites estão disponíveis em todo o SUS. Em agosto, serão oferecidos também exames rápidos para os tipos B e C, nos Centros de Testagem a Aconselhamento (CTA) das capitais do Brasil. 

O resultado fica pronto em 30 minutos. Com testes convencionais, o resultado sai em até 15 dias. Já foram adquiridos mais de 3 milhões de testes rápidos (metade para hepatite B, metade para hepatite C) para ampliar o acesso ao diagnóstico.
 
Fonte: Ministério da Saúde

domingo, 24 de julho de 2011

“Três milhões de brasileiros têm Hepatites B e C”, alerta Dr. Drauzio Varella

Primeiro episódio da nova série explica a diferença entre os tipos de hepatite e dá detalhes da forma crônica da doença.

“Minha vida era normal, como a de todo garoto de 22 anos. Não sentia sintoma algum, não sentia dor. Nada que me indicasse que eu tinha esse vírus da hepatite”, conta um jovem.
“Fiquei apavorada, assustada, porque eu não tinha informação sobre a doença. Mas como era uma questão de uma gestação, você se preocupa mais”, relata Juíara.
“Não posso andar no sol, pular, correr. A comida que eu comia antes eu não posso comer. É diferente”, explica uma criança.
“Até oito, dez anos atrás, ninguém tinha ideia do que é hepatite. Só sabiam que existia, mas ninguém tinha ideia do que era. Tinham algumas prevenções que não tinham nada a ver. Por exemplo, comer em prato separado”, diz Gilberto.

Nesta série, vamos falar das hepatites e você verá que as hepatites são causadas por vírus completamente diferentes uns dos outros. Alguns provocam uma doença benigna, quase sem complicações. Outros, como os vírus das hepatites B e C, provocam uma infecção crônica, que leva à cirrose e ao câncer de fígado.

Sabe quantos brasileiros existem nessa situação? Três milhões. Sabe quantos foram identificados? Cerca de 150 mil. As hepatites são uma epidemia. Infelizmente, uma epidemia ignorada.

O fígado normal é lisinho e pesa 1,2kg, 1,5kg mais ou menos. É o laboratório químico do organismo. Todo sangue passa por ele. Aí ele produz proteínas e elimina as toxinas, tanto as que vêm de fora quanto aquelas produzidas pelo próprio organismo. Os vírus das hepatites B e C são tão pequenininhos que não adianta colocar no microscópio porque a gente não consegue enxergar.

Eles infectam as células do fígado e isso faz um processo inflamatório crônico. As células vão sendo destruídas e aí o organismo vai perdendo a capacidade de formar proteínas e eliminar toxinas. A pessoa vai ficando intoxicada. Ao mesmo tempo, as células que morrem são substituídas por umas cicatrizes que vão distorcendo a forma do fígado e atrapalhando a circulação.

E, com isso, aumentam os riscos de sangramentos. Isso é um processo silencioso que dura 10, 20, 30 anos. A pessoa está doente, mas não sabe. Só vai apresentar sintomas quando o fígado estiver em péssimas condições.

“Quando eu descobri que estava grávida eu já fui fazer meus exames de pré-natal. E foi quando eu descobri, nesta segunda gestação, que eu era portadora da hepatite B”. A gravidez trouxe felicidade, mas também preocupação para Juíara, de Vacaria, Rio Grande do Sul. O momento do parto é uma das formas mais comuns de transmissão da doença.

Na coxa direita, o bebê toma a vacina contra hepatite B, como as outras crianças. Mas como a mãe tem hepatite B, na coxa esquerda ele recebe a imunoglobulina que contém anticorpos contra o vírus. Além de passar da mãe para o filho, o vírus da hepatite B também é transmitido por objetos cortantes contaminados por sangue.

Uma pesquisa realizada em salões de beleza da cidade de São Paulo mostrou que há muita desinformação. Só 20% das manicures tinham tomado a vacina. Além disso, 8% eram portadoras de hepatite B. Você tem que ter certeza que o material foi esterilizado.

A manicure vai, faz a unha de uma pessoa, sai um pouquinho de sangue e ela depois vai e faz a sua unha, fura sem querer a cutícula, esse vírus – que é uma coisa muito pequena entra e cai na sua circulação. Você usa escova de dentes dos outros? Então, material de manicure é a mesma coisa. Cada um tem que ter o seu. E se usar o material do salão de beleza tem que ter certeza de que ele foi esterilizado adequadamente.

“Em 1979, em fevereiro, nasceu minha filha Rita, a quarta de cinco filhos. Quando nascia algum filho meu, eu fazia doação de sangue. Naquele dia, o médico do hospital falou que eu não poderia mais ser doador porque eu era portador de hepatite B. O único jeito de saber, naquele tempo, era doando sangue. Não tinha exame de sangue como hoje.” Gilberto é um caso típico de hepatite B crônica. Não sentia nada, descobriu por acaso que era portador do vírus e continuou vivendo bem, sem nenhum sintoma de que a doença estava ficando grave.

“Quando foi o ano passado, eu fui ao hospital e a doutora falou para mim: ‘Olha, você está com três nódulos cancerígenos, vai ter que tratar. Se você melhorar, tudo bem. Se não melhorar, entra na fila do transplante”, conta Gilberto.

Como o fígado é um órgão que sofre calado, esses portadores crônicos não sentem nada. Só descobrirão que estavam infectados 20, 30 anos mais tarde, quando vierem a cirrose e o câncer de fígado.

“E a há quase dois anos, quando encontrei a Andrea, no primeiro eu tomei um chope preto, ela tomou um suco. Eu perguntei se a gente podia se encontrar de novo e ela falou: ‘Pode, desde que você não beba’. Aí parei de tomar cerveja, faz quase dois anos”. Os portadores de hepatite B não devem tomar bebidas alcoólicas. O álcool é tóxico para o fígado.

Hepatite B tem vacina. A única forma de acabar com a doença no Brasil. O certo era vacinar todo mundo, mas como o Ministério da Saúde não recebe recursos financeiros suficientes, decidiu estabelecer prioridades. Podem receber a vacina gratuitamente todos na faixa até 24 anos. Além deles, os profissionais de saúde, os policiais, as manicures, os portadores do HIV, além de outros grupos. A vacina tem três doses. Você toma a primeira hoje, a segunda daqui a 30 dias, a terceira daqui a seis meses. Seis meses contados a partir da primeira dose. Precisa tomar as três doses.

Chapecó faz parte de uma região que recebeu grande número de imigrantes italianos no início do século passado. Com eles, veio o vírus da hepatite B. Hoje, 7% dos habitantes da cidade são portadores crônicos do vírus B. Um número altíssimo. A partir de 1995, Chapecó desenvolveu um programa exemplar de vacinação que acabou com a hepatite B entre as crianças e que eliminará o vírus nas gerações futuras.

“A gente prima muito pela prevenção. O que a gente quer é que as pessoas completem o esquema. Façam a primeira, a segunda e a terceira dose. Nós temos uma boa cobertura de vacinação. Sempre acima de 98% das crianças são vacinadas. O Ministério preconiza até 95%, agente tem, sempre, a partir de 98%”, relata a coord. Setor de Tuberculose, Maria Luiza Trizotto.

“Eu estou montando um livro, já estou com 80 e poucos artigos, agora vou fechar o livro. Estou com dificuldade porque não estou me sentindo bem. Então, a única chantagem que eu fiz com Deus foi essa: ‘Vamos maneirar esse câncer aí porque eu preciso fazer o livro”, brinca Gilberto.

“Eu acho que, como mãe ou como qualquer outra pessoa, você deve correr atrás. Quanto mais um filho seu. Foi o que eu fiz. Fui atrás para manter ele livre. Livre da hepatite”, diz Juíara.


VEJA A MATÉRIA COMPLETA EM:

sábado, 28 de maio de 2011

Avanços podem permitir vacina de HIV e malária em dez anos, diz revista


Artigo publicado na "Nature" fala sobre os principais desafios na área.
Alta mutação do vírus da Aids ainda impede a criação de dose eficaz.


Progressos clínicos e tecnológicos na área da imunologia indicam que será possível desenvolver vacinas contra Aids e malária nos próximos dez anos, diz artigo publicado na revista "Nature" desta semana. Segundo o pesquisador italiano Rino Rappuolli e o americano Alan Aderem, que assinam o texto, o combate à Aids e à malária ainda é o maior desafio mundial em saúde pública do século 21.
Junto com a tuberculose, essas duas doenças infecciosas matam quase cinco milhões de pessoas por ano no mundo. Apesar de ainda não haver vacinas disponíveis, os cientistas apostam no avanço da computação e na chamada biologia sistêmica, que estuda a interação entre elementos biológicos (como proteínas, genes, RNA e outras moléculas), para chegar cada vez mais perto de uma resposta imune contra esses males.
A aceitação de um indivíduo a uma vacina depende de inúmeras interações de fatores genéticos, moleculares e ambientais. Por isso, segundo o infectologista e imunologista Esper Kallas, da Faculdade de Medicina da USP, a abordagem do futuro para a produção de novas doses deve contemplar "tudo ao mesmo tempo". “Esses sistemas geram quantidades fenomenais de dados em computador, por meio de modelos matemáticos, para encontrar relações e padrões que levem a alguma descoberta”, disse. É o que os norte-americanos chamam de “mineração de dados”, que pode servir para encontrar regras no meio do caos.
Como a quantidade de características imunológicas no conjunto de dados mundial excede a capacidade da mente humana, o objetivo é chegar a modelos precisos e detalhados o suficiente para prever se as novas vacinas terão sucesso. Para o imunologista David Watkins, da Universidade de Wisconsin, nos EUA, que está em São Paulo para conhecer o Instituto Butantan, os resultados de vacinas contra HIV em macacos são encorajadores. “Em um estudo publicado há duas semanas na 'Nature', 50% dos animais foram protegidos do vírus, e agora temos que entender por quê”, afirmou.
No início dos anos 1980, quando o HIV foi descoberto, os cientistas acreditavam que poderiam combater a Aids da mesma forma que a hepatite B: usando fragmentos do vírus em leveduras e depois separando-os do fungo. Esse material “puro”, uma vez inserido no corpo humano, faz uma simulação de infecção natural que leva à imunidade. O problema é que o HIV tem altíssima capacidade de mutação, e em menos de um dia já não é mais o mesmo. Já o micro-organismo causador da malária se modifica, em média, a cada dez anos, e o grande problema nesse caso é que o protozoário Plasmodium dribla os anticorpos.
“Ainda não há um meio de reproduzir um vírus do HIV que seja representante dos demais. E o que dificulta tanto uma vacina contra essas doenças é que os vírus (ou bactéria, no caso da tuberculose) só se multiplicam dentro das células, então ficam protegidos”, explicou Kallas. Os anticorpos, por sua vez, costumam agir do lado de fora, não atingindo os agentes patogênicos.
Os pesquisadores concluem no artigo que ainda há complexos mecanismos imunológicos não completamente compreendidos pela ciência. Mas um modelo inovador de exames clínicos, que testam várias vacinas em paralelo e obtêm informações pela biologia sistêmica, deve acelerar o desenvolvimento de vacinas e aumentar a compreensão do sistema imunológico humano em um futuro próximo.
Aids, malária e tuberculose no mundo
Desde o início da pandemia, a Aids causou mais de 25 milhões de mortes, e hoje há 33 milhões de pessoas vivendo com o HIV. Por ano, são 2,6 milhões de novos casos e 1,8 milhão de mortes. Já a malária acomete 225 milhões de pessoas por ano e causa quase 1 milhão de mortes. Além disso, cerca de um terço da população humana está infectada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), com 9,6 milhões de novos casos e 1,7 milhão de mortes por ano. E essa bactéria tem se tornado cada vez mais resistente a antibióticos.
Como um de seus Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem estimulado os países a controlar e reverter a propagação dessas doenças até 2015. Para atingir a meta, a ONU conta, principalmente, com a expansão de tratamentos, educação e medidas básicas, o que inclui uso depreservativos contra a aids e de mosquiteiros em camas contra a malária.
A vacinação, que geralmente é a intervenção mais eficaz no controle de doenças infecciosas, não foi incluída no plano da ONU, porque as doses não devem estar disponíveis dentro desse prazo.
Especificamente no caso da tuberculose, a vacina BCG – aplicada em recém-nascidos no Brasil e não usada nos EUA, por exemplo – ainda causa controvérsias. Isso porque ela é capaz de prevenir a disseminação da doença e a mortalidade em bebês e crianças, mas não evita a infecção crônica nem protege adultos, idosos e pessoas com deficiência imunológica. “Há algumas ONGs internacionais que trabalham na produção de uma vacina melhor contra a tuberculose”, disse Kallas.
De acordo com ele, os pesquisadores atualmente conhecem a fundo o sistema imune e a interação entre hospedeiros e parasitas, mas o campo da vacinologia ainda tem muito a avançar. “Precisamos de novas ideias, abordagens e fronteiras. Investimentos em vacinas devem ser feitos a longo prazo, a perder de vista, e podem mudar a vida da humanidade. É o que faz a Fundação Bill e Melinda Gates, que se concentra em combater a Aids, a malária e a tuberculose pelo mundo”, destacou o médico.
Dengue
A vacina contra a dengue, segundo o médico, deve ser uma realidade em breve. E a dose será a forma mais eficaz de combater a doença, já que o mosquito Aedes aegypti se urbanizou e ficou praticamente impossível erradicar o problema nas grandes cidades.
O Instituto Butantan atualmente faz uma parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA e a Universidade Johns Hopkins para o desenvolvimento dessa vacina. Testes preliminares em humanos já estão sendo feitos. E a ideia, segundo Kallas, é que a dose contemple os quatro tipos de vírus da dengue e seja aplicada preferencialmente em crianças, que costumam ser o grupo mais suscetível.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

HEPATITE C

A hepatite C é uma doença adquirida exclusivamente pelo contato com sangue infectado. É causada pelo vírus HCV, conhecido anteriormente como vírus não A / não B. Foi descoberta e identificada recentemente (1989) e sua forma de atuar ainda é conhecida apenas por um reduzido número de médicos. Sendo uma doença geralmente assintomática, a hepatite C deixa, freqüentemente, de ser diagnosticada e tratada precocemente, onde a resposta ao tratamento é reconhecidamente mais efetiva.

Os menos avisados ainda acreditam que todos os doentes de hepatite ficam extremamente cansados, com pele, olhos e urina amarelos. Na ausência desses sintomas, cometem o erro. Talvez, este desconhecimento venha a se transformar em um dos maiores problemas que os sistemas de saúde em todo o mundo terão de enfrentar no futuro.

A hepatite C é perigosa pois, em 70-85% dos casos, torna-se crônica, podendo evoluir de maneira muito lenta e não causar maiores danos ao organismo ou progredir para cirrose, insuficiência hepática ou câncer no fígado. O período de evolução da doença é estimado em 20 a 30 anos, sendo que cada organismo reage diferentemente. Este prazo depende de fatores ligados ao vírus, carga viral, genotipo, tempo de infeção ou da eficiência do sistema de defesa do paciente. Outros fatores também podem influenciar acelerando a evolução da enfermidade como: idade da aquesião da infeção, sexo masculino, raça negra, co-infecão com os vírus da hepatite B (VHB), o vírus da AIDS (HIV), uso de bebidas alcoólicas e do modo de vida de cada paciente.

Não Brasil, não se dispõe de estatísticas oficias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que de 2,5% a 4,9% da população brasileira, aproximadamente de 4,1 a 8 milhões de pessoas, seja portador de hepatite C.
Saliente-se que a doença hepática crônica e a cirrose representam a quinta causa de óbito para pacientes do sexo masculino na faixa etária de 44 a 64 anos, sendo responsável por 44 mil óbitos/ano, apenas no Estado de São Paulo. (fonte data-SUS)

O país com maior incidência é o Egito, com mais de 15% da população contaminada. Os Estados Unidos têm 2% da sua população infectada. No mundo, aproximadamente 200 milhões de pessoas estão contaminadas, o que torna a hepatite C a maior epidemia da historia da humanidade. O principal problema é que mais de 90% dos infectados desconhecem estar doentes, podendo contaminar outras pessoas e, pior ainda, não adotando nenhum tratamento.

O tratamento clinico da hepatite C já esta bem estabelecido. Recentemente, a associação dos interferons peguilados à ribavirina por 6 a 12 meses, foi considerada como o tratamento padrão e recomendado pelos “consensus” (Paris, fevereiro de 2002 / NIH junho de 2002), com percentuais de resposta sustentada, ou seja, cura, em 61% dos pacientes tratados, variando de 42 a 82%, na dependência do genótipo. Mesmo para os pacientes que porventura não venham obter resposta sustentada (RS) com este novo esquema, felizmente, nos últimos anos tem havido avanços consideráveis e há muitos tratamentos promissores em fase de pesquisas. Ainda que a doença permaneça incurável em muitos pacientes, muitas destas pessoas com hepatite C crônica mantêm vidas totalmente normais e, na sua maioria, não apresentam sintomas. Para os casos, em fase avançada, ou seja cirrose descompensada, por ascite (“barriga d’água”), encefalopatia, confusão mental ou tumor hepático o transplante hepático é a unica opção de tratamento, com melhora na qualidade de vida e aumento significante na sobrevida desses pacientes.

Estima-se ainda para esta década a disponibilidade de uma vacina, trazendo a cura ou o controle da hepatite C.

Conselhos aos portadores: Procure um médico especializado em hepatite C. Continue com a sua rotina diária durante o tratamento. Mantenha uma atitude positiva. Freqüente grupos de apoio: você precisa saber que não está sozinho nesta luta!


As perguntas e respostas abaixo o ajudarão a entender o que é a hepatite C e como se prevenir contra ela. Leia para ver se você deve ou não fazer um exame de sangue para hepatite C.

• O que é hepatite C?
• Quão grave é a hepatite C?
• O que devo fazer se meu exame para hepatite C der positivo?
• E se eu não me sinto doente?
• Como posso cuidar de meu fígado?
• Há tratamento para hepatite C?
• Como posso ter-me infectado pela hepatite C?
• Como prevenir a disseminação da hepatite C?
• E se eu estiver grávida?
• Hepatite C não se transmite por:
• Se você é usuário de drogas:
• Se tem parceiros sexuais não-fixos


O que é hepatite C?

Hepatite C é uma doença causada pelo vírus da hepatite C (VHC), que é encontrado no sangue de pessoas que têm essa doença. A infecção é transmitida através de contato com o sangue de uma pessoa infetada.


Quão séria é a hepatite é C?

Hepatite C é séria para algumas pessoas, mas não para a grande maioria. A quase totalidade das pessoas que adquirem hepatite C leva o vírus para o resto de suas vidas. Percentual pegueno destas pessoas têm algum dano, mas muitos não se sentem doentes. Algumas pessoas com dano no fígado devido à hepatite C podem desenvolver cirrose e falência hepática, que pode levar muitos anos para desenvolver. Outros não têm nenhum sintoma a longo prazo.


O que devo fazer agora que meu exame para hepatite C veio positivo?

Contate seu médico. Podem ser necessários testes adicionais para conferir seu diagnóstico e verificar o grau de lesão de seu fígado.


O que fazer se eu não me sinto doente?

Muitas pessoas com hepatite C a longo prazo não têm nenhum sintoma e sentem-se bem, mas ainda deveriam visitar seu médico. Para algumas pessoas, o sintoma mais comum é fadiga extrema.


Como eu posso cuidar de meu fígado?

Veja seu médico regularmente.
Não beba álcool.
Fale para seu médico sobre todos os remédios que você está tomando, até mesmo remédios ou drogas caseiras e chás.
Lembre-se, se você tem hepatite C, você deve ser vacinado contra as hepatites A e B.


Há um tratamento para hepatite C?

Várias drogas são disponíveis para o tratamento de pessoas com hepatite C a longo prazo. Cerca de 4-7 entre cada 10 pacientes que são tratados libertam-se do vírus. Você deve perguntar a seu médico para saber se o tratamento pode ajudá-lo.

Como eu posso ter adquirido hepatite C?

HCV é transmitido principalmente através da exposição a sangue humano. Você pode ter adquirido hepatite C se:
• você recebeu uma transfusão de sangue ou transplante de órgão sólido (por exemplo, rim, fígado, coração) de um doador infectado.
• você já injetou alguma droga, até mesmo se apenas algumas vezes e muitos anos atrás.
• você foi tratado para problemas se coagulação com um produto de sangue feito antes das 1987.
• você já estava em diálise de rim a longo prazo.
• você já era trabalhador de área médica tendo tido contato freqüente com sangue no lugar de trabalho, especialmente acidentes com objetos perfurantes.
• sua mãe teve hepatite C na ocasião de seu nascimento.
• você viveu com alguém que era infetado com HCV e compartilhou artigos como navalhas ou escovas de dente que poderiam ter tido sangue neles.
• você já fez sexo com uma pessoa infetada com HCV.
Atenção: lembre-se de que cerca de metade dos portadores do vírus C não apresentam história compatível conhecida para explicar a contaminação.
Como eu posso prevenir a propagação HCV para outros?

Não doe seu sangue, órgãos do corpo, outro tecido, ou esperma.
Não compartilhe escovas de dente, navalhas, ou outros artigos de cuidado pessoais que poderiam ter seu sangue neles.
Cubra seus cortes e feridas abertas.
Se você tiver um parceiro sexual a longo prazo, fixo, há muito baixa chance de transmitir HCV ao mesmo, e você não precisa mudar seus hábitos sexuais. Se você quiser minimizar a chance, ainda que pequena, de passar o HCV a seu companheiro, você pode decidir usar preservativos de látex. (A eficácia de preservativos de látex prevenindo infecção com HCV é desconhecida, mas o próprio uso deles/delas pode reduzir transmissão. )


E se eu estou grávida?

Cinco entre cada 100 crianças nascidas de mães infectadas pelo HCV são infectadas. Isto acontece na hora de nascimento, e não há nenhum tratamento que possa impedir isto de acontecer. Porém, 50% das crianças infetadas com HCV na hora do nascimento parece evoluirem muito bem nos primeiros anos de vida negativando o vírus espontaneamente. Mais estudos são necessários para descobrir se estas crianças terão problemas com a infecção na adolescência ou idade adulta.

Pessoas não deveriam ser discriminadas ou excluídas de trabalho, escola, jogo, creche ou outras colocações em base do estado de sua infecção pelo HCV.


Hepatite pela que C não é transmitida com:

• alimentação de peito
• espirrando
• abraçando
• tossindo
• compartilhando pratos ou copos
• comida ou água
• contato casual


Se você usa ou injeta drogas de rua:

Pare e entre em um programa de tratamento para a dependência.
Se você não pode parar, não use novamente a mesma e nem compartilhe seringas, água, ou a droga propriamente dita.
Verifique se tem anticorpos contra as hepatites A e B. Caso contrário vacine-se.


Se você está tendo sexo, mas não com um parceiro fixo:

Você e seus parceiros podem adquirir doenças sexualmente transmissíveis (por exemplo, hepatite B, AIDS, gonorréia ou chlamydia). Use preservativos de látex corretamente e toda vez. (A eficácia de preservativos de látex prevenindo infecção com HCV é desconhecida, mas o próprio uso deles/delas pode reduzir transmissão). O modo mais seguro para prevenir a expansão de qualquer doença através de sexo é não fazer sexo nenhum.

Não há nenhuma vacina disponível prevenir hepatite C.
 



 

Fonte: Pró-Fígado